sábado, 22 de novembro de 2014

Caminho de ferro de Porto de Mós


Há um mês atrás, no Day After ao AX Trail - Trail Serra da Lousã, as dores no corpo iam das unhas dos pés até à raiz dos cabelos , pelo que, grandes correrias estavam fora de questão.
Um bom pretexto portanto, para uma recuperação activa de bicicleta, em regime suave, até porque estava um dia excelente de sol.

Já andava há uns tempos com curiosidade em visitar a Ecopista de Porto de Mós.
Ecopista de Porto de Mós - Antigo caminho de ferro mineiro
Esta Ecopista teve origem na requalificação de uma antiga linha de caminhos-de-ferro, desactivada desde os anos 50 ou 60 do século 20: A Linha de Caminhos de Ferro do Vale do Lena, ou também chamada, Caminhos-de-ferro das Minas da Bezerra

A linha em questão foi construída para transportar o carvão das minas da Barrojeira, da Mata e mais tarde das Minas da Bezerra, estas, na serra da Pevide, Porto de Mós, indo entroncar na rede ferroviária do estado, na estação da Martingança, Linha do Oeste.

As minas da Bezerra foram exploradas a partir de 1740 até meados do século XX, tendo os seus períodos áureos na altura das guerras, quando a compra de carvão no mercado internacional era difícil.

A partir dos anos 30, esta linha abriu-se também ao transporte de passageiros e pequenas mercadorias, tendo sido um importante factor para o desenvolvimento dos concelhos da Batalha e Porto de Mós.

Com o fim da segunda guerra mundial, a exploração de carvão começou a decair, uma vez que já era novamente possível comprar carvão no estrangeiro, de melhor qualidade a preços mais competitivos, levando ao encerramento das minas e consequentemente da linha férrea.

Recentemente, o Município de Porto de Mós requalificou a parte serrana da antiga linha mineira, criando assim um espaço de excelência para a prática de actividades ao ar livre, a pé ou de bicicleta.

Recomendo vivamente uma visita à Ecopista do antigo Caminho de Ferro das Minas da Bezerra, em Porto de Mós, de preferência aliado a um treino suave de corrida ou bicicleta e garante-se um dia muito bem passado!

A parte da linha existente no concelho da Batalha, encontra-se qualificada como percurso pedestre e cujo folheto aqui fica.

Boas corridas!







 

 

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

40ª Meia Maratona Internacional da Nazaré


A “Meia” da Nazaré faz quarenta anos. Bonita idade, parabéns!
Foi em 1975 a primeira prova nesta distância acessível ao povo em geral.

Corriam tempos em que a sociedade, pela primeira vez em muitos anos, podia almejar coisas tão simples como organizar corridas de rua sem estar sujeita ao regime.

Foi sem dúvida uma das muitas coisas boas que nos trouxe a revolução de Abril. Antes disso, tudo o que fosse suspeito de trazer algum bem-estar ao povo era proibido ou fortemente desencorajado!

Assim nasceu a Meia Maratona da Nazaré! E já lá vão quarenta anos..

Pode-se dizer também que, a Nazaré é a minha “madrinha” da corrida, uma vez que foi aqui que fiz a primeira prova de atletismo, na edição de 2011.
Este ano estava algo indeciso em participar.

O percurso não é muito amigável para bater recordes pessoais. A altura do ano também é propícia a alguma instabilidade climatérica, nunca se sabendo se durante a prova vamos ter calor ou, chuva torrencial.

Os objectivos para esta prova também não poderiam ser nada ambiciosos; o último mês teve uma agenda bem preenchida e o corpo acusava os quilómetros acumulados.

De qualquer modo, a partir do momento que o meu brother disse que ia à Nazaré, acompanhando um amigo estreante nestas andanças, ficou decidido que também eu iria à festa!

Lancei o desafio a um colega de trabalho que começou recentemente a correr, nunca tendo participado em provas de atletismo, que aceitou, e foi também estrear-se na meia maratona.

Assim chegando ao dia da corrida encontrámo-nos todos no parque de estacionamento habitual, tratámos do levantamento dos dorsais e às 11h00 lá fomos à conquista de mais uma ou, da primeira Meia Maratona!

Valente figura fez o meu colega que “arrancou” uma estreia à meia-maratona com 1h35m, ficando em 25º lugar do escalão M50 (num total de 108)!

Muitíssimo bom, para quem deixou de fumar há apenas seis meses e começou a treinar há tão pouco tempo!

Se não tem cuidado, arrisca-se a trocar um vício por outro J

E com esta meia maratona da Nazaré encerro a temporada, não devendo ir a mais provas este ano.

É mais ou menos uma decisão “irrevogável” J

Boas festas e boas corridas!


 


 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Maratona do Porto 2014, o relato...

A Maratona do Porto era o meu grande objectivo desportivo do ano.

Desde Dezembro do ano passado e durante seis meses, foi a única prova do calendário de 2014.

Logo no início do ano um acidente no núcleo familiar obrigou-me a cancelar os planos desportivos até a situação voltar ao normal. Assim, apenas  voltei às provas oficiais em Junho.
Durante a “paragem”, ainda mantive alguma regularidade nos treinos, todavia em volume muito baixo, cerca de 150 quilómetros por mês e, exclusivamente em estrada. Não podia sequer arriscar uma entorse, queda ou qualquer outra coisa que pudesse prejudicar a mobilidade diária.

A Maratona do Porto de 2013 tinha-me ficado “atravessada”, era ponto de honra voltar lá para ajustar contas.
Tinha sido uma prova terminada à conta da força da teimosia, muito por culpa das cãibras que atacaram forte à passagem pelo túnel da Ribeira. Os restantes sete ou oito quilómetros foram um suplício enorme, com inúmeras paragens, tendo inclusivamente equacionado não terminar a prova por absoluta incapacidade física.

Assim, “nem que a vaca tossisse” tinha de lá voltar para “fazer a prova dos nove”.
O trauma de 2013 foi de tal ordem que, até à véspera da maratona de 2014, o simples rever da passagem do túnel da Ribeira provocava-me cãibras!!

Entretanto em Outubro, aconteceu poder participar na Maratona de Lisboa.
O nível de confiança estava em baixo. Geri a corrida um pouco a medo, refreando o entusiasmo na primeira metade com receio de um possível colapso lá para o final.

De facto, terminei sem problemas, com três minutos apenas, a mais do que no Porto em 2013.
Psicologicamente foi bom, uma vez que ajudou a quebrar o enguiço que tinha ficado alojado no subconsciente.

Não obstante, a imagem do túnel da Ribeira continuava-me a causar suores frios.
A operação “Maratona do Porto - 2014” começa na segunda metade da semana, com um reforço na alimentação, impondo as massas em quase todas as refeições.

Na véspera, vou com o colega de equipa Paulo Amaro ao Porto a fim de levantar os dorsais. Acabamos por fazer o lanche com a Pasta Party.
Resumo gastronómico do dia:

Almoço – Esparguete
Lanche (Pasta Party) - Esparguete

Jantar - Esparguete

No dia “D”, ou melhor, no dia “M” de Maratona, chegamos cedo às imediações do parque da cidade, onde um dos autocarros disponibilizados pela organização nos levou até à zona da partida.
Àquela hora fazia um frio de rachar.

O tempo de espera até ao início da corrida foi passado em trote ligeiro e exercícios de aquecimento, não por apenas por razões de ordem atlética, mas também para não enregelar! 
Por fim lá chega a hora e a massa humana começa a mover-se.

Estava na estrada a Maratona do Porto – 2014.
Os primeiros quilómetros são feitos em pelotão compacto, nunca havendo hipótese de progredir grande coisa.
Seguia na cavaqueira com um colega que tinha encontrado na partida e que já não via há mais de dez anos. Nem sabia que ele corria, mas em abono da verdade, há dez anos eu também não corria! 

Até final da avenida da Boavista, seguíamos os PaceMakers das 3h30, embora num ritmo bem superior ao esperado, uma vez que tinha havido alguma demora na parte inicial, sendo necessário recuperar o tempo perdido.
Quando os PaceMakers retomaram o passo correcto seguimos em frente, deixando-os para trás.

No fim da longa avenida da Boavista toma-se o caminho para Matosinhos e aí sim, começa a haver espaço para gerir o passo de modo mais personalizado, isto é, sem interferência positiva ou negativa do pelotão.
Chegados a Leixões dá-se a primeira inversão de marcha rumo à Foz do Douro.

A partir de um certo ponto entre Matosinhos e a Foz, a proximidade do mar traz uns borrifos de maresia muito agradáveis.
Com cerca de uma hora e vinte de corrida como o primeiro cubo de marmelada, dos três ou quatro que levava. Além dos cubos de marmelada, levava também um Gel comprado de véspera na feira da Maratona.

Actualmente é raro gastar dinheiro em Gel energético. Tenho a minha própria “Poção Mágica” artesanal, mas infelizmente tinha-me esquecido dela em casa.
A receita do meu Gel caseiro é segredo, mas vou revelá-lo apenas para as minhas amigas/meus amigos:

·         Café Ultra forte, de duas passagens em cafeteira italiana

·         Mel

·         Marmelada ou doce

·         Flocos de aveia

·         Nestum ou outros cereais disponíveis do filho
Misturam-se os ingredientes e passa-se tudo com a varinha até adquirir a consistência desejada. Depois é só carregar para sacos próprios, podem ser embalagens de Gel usadas, bem lavadas.
As vantagens são ao nível do preço e de ser um produto natural e sem substâncias estranhas.

Eventuais desvantagens, serão a menor durabilidade, virtude da não existência de conservantes e a necessidade de embalagens próprias, embora haja no mercado uns saquinhos de fecho rápido por cerca de 1 euro/50 unidades que bem podem resolver o problema.
Perto da meia maratona o colega com quem seguia começa a perder algum terreno e continuo sozinho como tínhamos combinado, embora ao início seria eu com mais dificuldade em acompanhar o ritmo.

Perto da Ribeira surgem alguns empedrados e quase toda a gente opta pelos passeios ou lages de superfície mais lisa.
De facto, já no ano anterior tinha passado alguns dissabores com a irregularidade dos empedrados que causam um desgaste enorme. Este ano tomei a opção de evitar este tipo de piso sempre que possível, fosse em que ponto da prova fosse.

Passa então a corrida pelos locais emblemáticos da Ribeira e Ponte D. Luís.
Já do lado de Gaia, o percurso segue junto ao rio até à Afurada onde existe o último retorno.

Na edição de 2013 houve ainda mais um ponto de retorno, do lado do Porto, que em boa hora foi eliminado!
Por fim aproxima-se o meu Adamastor, o túnel da Ribeira.

Até tremia só de pensar nele!
Entrei de pantufas, devagarinho, vencendo metro a metro, até que finalmente chega a luz do dia!

Ufa!!! Está feito! Agora até de gatas acabo a Maratona!
Bom, na verdade ainda faltam uns quantos quilómetros.

Para mim, é a parte mais aborrecida da prova.
Sabemos que a meta está no Parque da Cidade à nossa espera, mas para lá chegar temos de massacrar as pernas ainda mais um pouco.

É uma etapa que mais parece uma penitência, mesmo quando tudo vai bem a nível físico.
Ia a pensar que sentido fazem estes últimos quilómetros?!

A Maratona seria bem mais simpática se tivesse apenas trinta e cinco quilómetros!
Tenho de descobrir quem foi o fundador da cidade de Maratona. Bem podia ter arranjado um local mais perto de Atenas…

Por fim, corto a meta, ao fim de 3 horas 23 minutos e 33 segundos de tempo oficial e 3 horas 22 minutos e 14 de tempo líquido.
Balanço positivo.

Uma prova sem contratempos nem problemas físicos, muito por conta da contenção e gestão de esforço efectuada logo desde início.
O tempo colaborou, não chovendo durante a corrida, embora pouco depois de ter terminado caiu uma valente carga de água que apanhou muitos atletas ainda em prova.

Destaque para o PelaEstradaFora Paulo Amaro que, concluiu a Maratona em 3h 22m 09s (3h 20m 51s, chip).
Por fim, gostava apenas de referir que é uma pena as duas únicas Maratonas de estrada em Portugal fiquem tão próximas uma da outra no calendário.

Para quem quiser fazer as duas provas constitui um esforço e desgaste enorme. Para já não falar de alguns “tolinhos” que ainda metem outra maratona de trilhos pelo meio!
As “autoridades competentes” que pensem em desfasar no calendário as Maratonas de Lisboa e do Porto, julgo que ficávamos todos a ganhar!

Até para o ano e boas corridas!

Alfandega do Porto - Pasta Party
 
Alfandega do Porto - Pasta Party


Algures perto de Matosinhos
 
O PelaEstradaFora Paulo Amaro na chegada à meta
Chegada à meta (foto: marathon-photos)


Chegada à meta (foto:Lina Branco Batista)

Chegada à meta (foto: marathon-photos)