terça-feira, 14 de novembro de 2017

Maratona do Porto 2017



Chega o mês de Novembro e é tempo de correr a Maratona do Porto!

Pelo 5º ano consecutivo, a “equipa” do PelaEstradaFora rumou à cidade do Porto para participar na chamada prova rainha de estrada.

As duas primeiras participações, em 2013 e 2014, foram ainda no anterior percurso, com partida junto ao Pavilhão Rosa Mota, com a alucinante descida da Avenida da Boavista, onde se ganhava uns minutos preciosos para gerir no restante percurso da prova.

Desde 2015, partida e chegada da Maratona  situam-se no Queimódromo do Parque da Cidade, sendo a parte inicial da prova constituída por umas voltas e reviravoltas em torno do Parque da Cidade e Zona industrial de Matosinhos, onde se dá o primeiro retorno.

Após essa fase inicial, a Maratona dirige-se para o Porto de Leixões, regressando para sul após um segundo retorno.

Regresso de Matosinhos. Foto: Maria João
Segue então para o Porto pela marginal junto ao mar, entrando pela margem direita do Rio Douro rumo nascente até à zona da Ribeira e Ponte D. Luís.
Zona da Ribeira e Ponte D. Luís
Devido à sinuosidade do Rio Douro naquela zona, a paisagem vai variando a cada quilómetro que passa, distraindo e ajudando a passar o tempo, fazendo esquecer os quilómetros que falta percorrer.

Na Ponte D. Luís faz-se a travessia para Gaia, seguindo para poente até à Afurada onde se dá o terceiro retorno em direcção à Ponte D. Luís. 
Segue-se então novamente para Nascente, serpenteando junto ao rio, passando por baixo de, praticamente todas as pontes da cidade.
Novo retorno, o quarto, aos 31 quilómetros, iniciando definitivamente o sprint para a meta.

Estes últimos 11 quilómetros são a “prova dos nove” do maratonista! Chega a fase em que começam a surgir, o cansaço, o esgotamento, as lesões mal curadas, o mau humor, enfim, a clara noção de que a maratona devia ficar-se, no máximo, pelos 35 quilómetros! 
Já li algures que, o percurso efectuado pelo soldado ateniense Fidípides, a cidade grega de Maratona dista de Atenas cerca de 35 quilómetros e não os agora 42 da prova moderna…(https://en.wikipedia.org/wiki/Marathon).

Em termos pessoais, estava bem melhor do que no ano passado, sem qualquer lesão ou maleita, o que me permitiu encarar a prova com serenidade.
Desde início controlei o ritmo, mantendo alguma pressão, todavia nunca exagerando, sabendo que nos últimos 10 quilómetros se paga a factura de um início acima das possibilidades.

Cerca do quilómetro 35 alcanço o colega de equipa, Paulo Amaro e seguimos juntos até praticamente à linha da meta.
Foto: www.running-photos.com
Os últimos 300 metros, sendo a subir, não me cativaram propriamente para aumentar o ritmo, deixando escapar o colega de equipa que, terminou 16 segundos à minha frente!
Fiquei no entanto muito satisfeito comigo próprio, uma vez que duas semanas antes, no Trail Serra da Lousã – 55K, a diferença entre ambos tinha sido de 1h12m! ☺

Tempos da equipa (tempo “chip”):
Paulo Amaro: 03:22:09
Paulo Oliveira: 03:22:25

Até para o ano, Maratona do Porto!

Paulo Amaro: 03:22:09
Paulo Oliveira: 03:22:25

Chegada à meta. Foto: www.running-photos.com

Expo Maratona - "Pasta Party"


Expo Maratona - Paulo Amaro
Expo Maratona - Paulo Oliveira

Os dois Finishers de medalha ao peito :)

Paulo Amaro - Tempos de passagem

Paulo Oliveira - Tempos de passagem


AX Trail - Trail Serra da Lousã






“A Serra da Lousã é uma serra de Portugal Continental, com 1205 m de altitude no ponto mais elevado (Trevim). Situa-se na transição do distrito de Coimbra para o de Leiria. Integra o ramo norte da Cordilheira Central, constituída pelas serras da Estrela, Açor e Lousã, fazendo também parte do Sistema Montejunto-Estrela.
Esta serra abrange os concelhos de Miranda do Corvo, Lousã, Góis e Penela (no Distrito de Coimbra) e Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos (no Distrito de Leiria).” Fonte: Wikipédia (se está na internet é porque é verdade ☺)
A Serra da Lousã continua a ser o local mais bonito para correr em trilhos.
Assim, independentemente da organização, todas as corridas na Serra da Lousã estão automaticamente debaixo de olho, sejam, o AX Trail, Abutres, Lousã Trail e mais recentemente os Trilhos das Quelhas, com base em Castanheira de Pera.
Este ano, a base do AX Trail foi na Lousã; anteriormente já foi também em Miranda do Corvo, Castanheira de Pera e, julgo que também em Góis.
A prova principal deste evento tem a distância de 110 km, havendo também de, 55 km, 25 km e outra de 15 km.
A “Equipa” do PelaEstradaFora apresentou-se à partida dos 55 km com os candidatos Paulo Amaro e Paulo Oliveira, este último com o único objetivo de chegar inteiro à meta com os ossos todos nas posições iniciais!
A equipa do PelaEstradaFora com o atleta e amigo Luís Nunes 
Relativamente às edições anteriores, houve este ano um ligeiro incremento na distância, e um substancial aumento da elevação acumulada. Na edição anterior foi de 2.500 m, passando agora para mais de 3.000 m.
Ambiente na linha de partida dos 50K

A prova de 55K iniciou-se no centro de exposições da Lousã, entrou na floresta pelo caminho da fábrica do papel, castelo, central hidroelétrica da Ermida, aldeias de Candal e Cerdeira, atingindo o ponto mais alto da serra a 1.200 m, o Trevim, com 14 km de prova.
Castelo da Lousã

Inicia-se então a “descida” (mais do tipo sobe-e-desce) para o Coentral, Catarredor, Vaqueirinho, Talasnal, Casal Novo, Gondramaz, e finalmente, vila da Lousã.
Uma das aldeias serranas onde passou a prova

Quanto a classificações da equipa, ficou assim:
Paulo Amaro – 39º da geral, 3º M45, tempo: 07:36
Paulo Oliveira – 123º da geral, 14º M50, tempo: 08:48

Boas corridas!
Foto:Prozis

Capela na zona do castelo


Levada de água, este ano seca


Ponto mais alto da serra da Lousã







domingo, 10 de setembro de 2017

10ª Corrida dos Moinhos de Penacova

Uma excelente prova, muito competitiva, pertencente ao Circuito Nacional de Montanha da Federação Portuguesa de Montanhismo e Escalada.
Foi a 6ª participação consecutiva nesta prova.
Zona da partida e final
Já referi em anos anteriores que o conceito deste campeonato é diferente do Trail, uma vez que praticamente todo o percurso é feito em caminhos ou estradões, sendo a parte correspondente a carreiros e trilhos relativamente pequena.
No aquecimento, com o Paulo Amaro e o nosso colega ferroviário José Leal (18º da geral, 4º de escalão)
Há no entanto a lamentar a baixa adesão nesta edição de 2017; classificaram-se no final apenas 93 atletas, na distância maior.
A explicação passa essencialmente por dois motivos:
1 - Alguma falta de glamour, comum às provas populares cujo valor de inscrição é de apenas 7,50 € - A corrida, tanto de estrada como de trail tem-se tornado numa feira de vaidades, servindo também de meio de afirmação de bem-estar económico. Tenho reparado muitas vezes que alguns atletas de trail têm equipamento de valor superior ao do meu primeiro automóvel. Nem sempre ficam à minha frente na chegada à meta…
Praia do Reconquinho - Penacova
2 - Há também outro aspeto, possivelmente polémico até, que tem que ver com a “matéria prima” destas corridas populares, contrapondo às grandes provas “rock’n’roll”, color runs, Provas de trail caras associados a vedetas ou das provas famosas no estrangeiro.
Enquanto a maioria dos adeptos do último grupo, em que me incluo, iniciou a prática da corrida há pouco tempo, 5 a 10 anos no máximo, os corredores populares do primeiro grupo, já andam nestas andanças há muito tempo, por gosto genuíno e não por estar na moda. Depois, e aqui é que acho que se nota a grande diferença, há uma tendência estrato-social nas corridas populares, de maior simplicidade, não urbanas, de atletas mais ligados a atividades profissionais físicas onde a vida não é um mar de rosas!

No mundo do trail já não é bem assim; o pessoal aderiu há menos tempo, vem sobretudo de ambiente urbano, tem educação média ou superior, e sobretudo, as gerações até 35 anos passaram a infância e adolescência agarrado a computadores e consolas de jogos!
Uma comparação possível, embora um pouco injusta, será a de dois miúdos que andam na mesma turma do karaté; o primeiro, menino bem e abastado, após terminadas as aulas no colégio, vai para a catequese no BMW da mamã que, no final, o leva até ao ginásio para a aula de karaté; o segundo miúdo, vem de uma família problemática, de um bairro social, fugiu da escola pública farto de “apanhar no focinho” (agora chamado bulling), tem de desenvencilhar-se, defender-se e sobreviver a qualquer custo em casa e no bairro; na aula de karaté apenas ganha alguma técnica para aquilo que a vida já lhe ensinou pelo modo mais difícil!
Naturalmente se não houverem outros fatores envolvidos, o miúdo pobre terá desde logo uma vantagem natural relativamente ao menino rico!  
Na corrida passa-se um pouco do mesmo, daí muita malta do trail, color runs e outras que tais, fugirem a sete pés das provas populares. Pode ter-se as melhores sapatilhas, o melhor relógio, a melhor mochila, e depois numa corrida destas, um simplório qualquer com umas Adipas ou umas Mike, dá-lhes um valente bigode.
Assim é mais prudente ir a provas caras, onde a seleção é puramente económica, afastando então essa concorrência indesejada.
Acresce ainda que, tem sempre outro impacto colocar uma selfie nas redes sociais tirada numa prova cara e longínqua, do que na corrida popular das festas da Bordaleja-de-Baixo onde qualquer pé-rapado pode competir.

Bom com tudo isto, temo que esta corrida de Penacova tenda a encolher ainda mais ou até mesmo a desaparecer; para ajudar à festa, notou-se também a falta de apoio da câmara municipal da terra. Recordo que nos anos anteriores a câmara oferecia um almoço, simples é certo, mas tinha também a presença do vereador do desporto na entrega dos prémios, e nesta edição, já não houve nem almoço nem a presença do vereador.
Quanto à prestação da equipa manteve-se no nível habitual, tendo o atleta Paulo Amaro obtido o 26º lugar da geral e 6º do escalão (representou o Sporting Clube de Espinho por convite de última hora por lesão de um membro da equipa), e eu, Paulo Oliveira o 57º lugar da geral e 13º de escalão.
Esperemos que em 2018 a Corrida dos Moinhos de Penacova volte aos seus tempos áureos.

Boas corridas!