domingo, 31 de agosto de 2014

7º Trail dos Moinhos de Penacova


Pelo terceiro ano consecutivo, a equipa do PelaEstradaFora marcou presença na corrida dos moinhos de Penacova.
Moinhos de Portela de Oliveira. Serra do Buçaco
No ano passado postei o relato aqui neste espaço, e aqui também,  tendo sido a prova deste ano, muito semelhante à anterior.
O nível de qualidade manteve-se, deixando como sempre, a vontade de regressar no próximo ano!

Para este dia de 31 de Agosto de 2014 as previsões do tempo “davam” calor com fartura, na ordem dos 35°C. Ainda assim, pela manhã, a temperatura estava agradável, não incomodando em demasia.
Tendo em conta o conhecimento do tipo do percurso, adquirido nas participações anteriores, optámos por fazer um aquecimento minimamente decente, uma vez que o início da mesma é constituído por uma valente subida até um dos pontos mais altos da vila e, com escadaria à mistura para ajudar à festa!

O controlo “zero” este ano foi original.

Atletas aguardando o controlo "zero" na ponte pedonal sobre o Mondego
Os atletas tiveram que atravessar o rio pela ponte pedonal do início e chegada, regressando ao local de concentração em fila indiana a fim de registar os dorsais.
Hummm…podiam pensar numa alternativa…pareceu-me que muita da gente que permaneceu em cima da ponte cerca de dez minutos, não terá achado muita piada à brincadeira… Mas tudo bem, a ponte aguentou-se à bronca e manteve-se firme e hirta !

Dá-se a partida e voltamos a cruzar a ponte para enfrentar a primeira subida.
Após a escalada da vila, os primeiros quilómetros são relativamente planos, ou pelo menos, sem grandes rampas.

O colega de equipa Paulo Amaro já tinha entretanto ido à vida dele!
Rolava-se bem. Sentia que estava melhor do que no ano passado. Previa fazer um tempo bem abaixo do anterior!

Passa-se o primeiro abastecimento, como sempre com prata da casa, isto é, com garrafinhas de Água de Penacova, facto que distingue esta prova dos trails “normais”, onde nos abastecimentos, as garrafas individuais já foram há muito banidas.
Começa a primeira grande subida, rumo aos primeiros moinhos. Os moinhos de Gavinhos.

Subida aos primeiros moinhos de vento
 Os músculos das pernas doem. Quase posso jurar que ouço gemidos vindos da zona dos gémeos!
Começavam-se a ver os moinhos...
Por fim atinge-se a cume do monte, com a deslumbrante vista dos moinhos de vento e também das paisagens lá em baixo.

Segundo abastecimento nos moinhos, onde desta vez faltou o fotógrafo da praxe, e, inicia-se a descida.
Passagem pelos primeiros moinhos

Começam então as peripécias da prova e, em boa verdade, acabam para mim as hipóteses de melhorar o tempo em relação ao ano passado.
Nesta altura seguia em grupo e, como mandam as “boas práticas da modalidade” não ia a prestar grande atenção às fitas sinalizadoras do percurso. Bastava seguir os colegas da frente.

O problema é que quem seguia à frente do pelotão também devia ir a contar que alguém mais atrás fosse com atenção e, o avisasse em caso de engano.
O resultado foi o esperado! Uma descida brutal de setecentos metros por um estradão, até chegar à conclusão de que íamos todos mal.

Fitas nem vê-las! Por fim lá vimos umas fitas mas eram de uma parte do percurso que já tínhamos feito.
O mapa da perdição. As setas a vermelho assinalam o caminho feito ao engano. 1500 metros com um desnível de cerca de 80 metros e, 15 minutos perdidos.



Aí o grupo decide continuar pelo caminho onde seguíamos, e eu tomo a opção errada de voltar para trás, subindo novamente o caminho por onde tínhamos descido, até voltar a encontrar fitas.
A meio da subida entretanto, encontro outro grupo que vinha também ao engano. Alerto-os para o facto e regressamos todos para trás.

Por fim encontramos o ponto onde terá ocorrido o engano e voltamos a trilhar o caminho certo.
Nesta altura já estava resignado de que a prova para mim, tinha terminado.

Tinha a noção de ter perdido cerca de quinze minutos, o que, por muito que corresse, não daria para recuperar.
Enfim, são os riscos de ir com a cabeça no ar. ”Para a próxima abre os olhos” dir-me-ão os meus caros amigosJ

Todavia, nem tudo se perdeu com este episódio!
Livre da pressão de querer fazer um bom tempo, bom tempo em critérios pessoais obviamente, acabei por fazer um resto de prova muito agradável, arriscando menos nas descidas, parando para tirar fotografias, apreciando com mais calma as vistas deslumbrantes sobre o Rio Mondego, etc.

Tempo final de 2h27m para uma distância de 20,440 km.
No final um churrasco tipo aldeia do Asterix que, só por si, já justificaria uma ida a PenacovaJ

Por fim, alguns aspectos que me ocorrem:
      ·         Organização de excelente nível, como já conhecíamos aliás;

·         A alteração do nome de Corrida dos Moinhos de Penacova, para Trail dos Moinhos de Penacova não me agrada. Nada mesmo.! Julgo que a mania dos Tugas de, preferirem usar palavras estrangeiras, não é muito feliz. Mas enfim, é apenas uma opinião…

·         Método usado para o controlo “zero” um pouco discutível. Não me recordo se nos anos anteriores foi assim, sinceramente;

·         Marcações do percurso relativamente boas. O engano de que fui vítima ter-se-á devido apenas à falta de atenção;

·         Almoço muito, muito bom! Com uma cerveja de barril geladinha, que caiu que nem ginjas!

·         A ausência de sombras é muito incómoda, sobretudo com sol e calor intenso, como já estava à hora do almoço;

·         Não foram afixadas as classificações como habitualmente. Desconheço as causas. Esperemos que sejam publicadas na página do evento o mais breve possível;

·         A ausência de sombras, e o calor tórrido que já se fazia sentir à hora de entrega dos prémios aos vencedores, não permitiu dar à cerimónia, a honra e solenidade que estes mereciam. Parece-me que um encerado do tipo usado nas feiras podia resolver o assunto. Fica a sugestão.
·         Nível competitivo muito elevado. Torna-se contagiante!

Balanço geral positivo, diria mesmo, muito positivo!

Até 2015 e boas corridas!

Aquecimentos e alongamentos

O Rio Mondego e o alto de Penacova onde iríamos passar no início e final da prova




Chegada aos segundos moinhos, Portela de Oliveira

Auto retrato do escritor enquanto corredor de trilhos
(também se poderia chamar "uma Sefie à americana")



Moinhos da Portela de Oliveira

Moinhos da Portela de Oliveira

Subida final a Penacova

Vista sobre o Mondego

Outra vista desde o alto de Penacova sobre o Mondego

Vista sobre a praia fluvial do Reconquinho. Partida e chegada no lado esquerdo do rio. 

Descida final

Finalmente a ponte! Na outra margem, a Glória espera os vencedores.
Os restantes, podem ter à espera as mulheres ou namoradas, ou até ninguém :)
 

Recuerdos de mais uma visita à praia do Reconquinho - Penacova

"O Paulo Amaro na Praia do Reconquinho".
  




Registos da prova

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Agosto 2014


As férias já lá vão há muito. O mês de Agosto também se aproxima do fim. Os treinos têm decorrido de forma quase normal não fosse a falta de treinos longos ao fim de semana. Já não corro mais de 25 kms desde a última prova, d’"Os trilhos de S. Tomé" em Ferreira-a-Nova, a 26 de Julho.
 
 A reentré será a 31 de Agosto na Corrida dos Moinhos de Penacova.

À semelhança das duas edições anteriores em que participei, deverá ser uma prova muito custosa. O perfil é exigente. Tem um acumulado significativo e simultaneamente tem muita distância para correr.

Esta prova faz parte do calendário do Campeonato Nacional de Corrida em Montanha.

Tem algumas diferenças relativamente às provas de Trail "normais". É em primeiro lugar uma prova federada, embora aberta a não-federados.

O nível médio dos atletas é superior ao das provas de trail. Os atletas são maioritariamente de clubes que, participam em todas, ou, quase todas as provas do campeonato, e fazem a gestão da pontuação com vista à classificação final.

Outro aspecto que me chamou a atenção nas duas participações anteriores é um sentimento de maior genuinidade. Com isto quero dizer que, aquele pessoal está lá para correr e competir, e não para exibir sapatilhas XPTO, roupa de marca, bastões de carbono ultraleve (e caros...), mochilas de água de cento e tal euros, etc..

Por outro lado, os aspecto da diversão e o apreciar da paisagem, podem ser involuntariamente relegados para segundo plano, tendo em conta o aspecto competitivo do evento.

Obviamente ninguém é obrigado a correr de forma supersónica, e alguns, como eu próprio, vão ao ritmo que podem, ou seja, devagarinho! Não estou a exagerar; na edição anterior fiquei em 17º de um total de 20 corredores do meu escalão e 90º num total de 140 chegados.

Enfim, far-se-á o que for possível, desde que chegue ao final com força nos maxilares para poder apreciar o tradicional almoço oferecido pela organização!

O grande objectivo da temporada é o da Maratona do Porto a 3 de Novembro (Correcção: Maratona do Porto, 2 de Novembro de 2014) , e apesar de ainda faltar algum tempo, as provas até lá vão servindo como treino de base.

Além desta Corrida dos Moinhos de Penacova, participarei ainda no Trail Serra da Lousã - Circuito AX Trail, a 18 de Outubro, mas, dada a proximidade da Maratona do Porto, este será já feito em modo de contenção, não vá uma entorse ou uma queda deitar tudo a perder.
 
Honestamente, também não viria nenhum mal ao mundo se assim fosse…mas, vamos tentar que corra tudo bem!
 
Ficam para memória futura, umas fotos dos treinos das férias e, pós-férias
 
Bons treinos!



Durante as três semanas de férias, todos os dias havia treino com o PelaEstradaFora Júnior.
Senior a correr, Júnior de bicicleta. Treinos com distâncias entre os 10 e os 22 km.

Rectas intermináveis, estradas florestais desenhadas a régua e esquadro.
Este tipo de traçado provoca um desgaste psicológico enorme.
Em minha opinião, constitui um treino muito útil para quem se queira aventurar na maratona.
Na Maratona, a partir dos 30 km é a "cabeça" quem "corre", por isso há que treiná-la bem.  
 
Imagem satélite do treino das fotos anteriores; 22 km no total
 
Leiria  - As Brisas do Liz às quartas à noite.
 
Aquecimento ao som do Zumba, Kizomba ou lá como se chama...
 
Os taberneiros de Leiria já andam a fazer contas à vida.
Não é que, numa noite de Agosto, a malta prefere ir correr em vez de "abancar" na esplanada ??!!
Mas anda tudo louco ou quê???

terça-feira, 29 de julho de 2014

1º Trilho de S. Tomé


Ferreira-a-Nova, freguesia do concelho da Figueira da Foz.
 
Largo da aldeia, amplo, arejado.

À volta do largo estão todas as "infra-estruturas" da freguesia, sede da junta, centro de saúde, piscinas, capela, lar da terceira idade, cemitério,...

A zona, para quem não conhece, é maioritariamente plana, fazendo a transição do Baixo Mondego para a Gândara, sendo esta última, uma vasta zona de solo arenoso que vai até Mira e Cantanhede.

Apesar da relativa planura local, há um grupo de entusiastas da corrida que se dá pelo nome de "Mountain Trails" e, foram estes que tiveram a bela ideia de organizar o I Trilho de S. Tomé.

 A simplicidade da prova conquistou os participantes. A simpatia dos organizadores que, em boa verdade, parecem ter contado com a colaboração de muita gente da terra, bem como, a dedicação com que trabalharam, produziu uma prova bem simpática, sem complicações logísticas, percurso bem marcado, paisagem agradável, etc.   

O percurso divulgado poderia induzir em erro quem não conhece a zona, uma vez que não apresentava um desnível significativo. Podia até haver, e houve por alguns, a leitura de que iria ser uma "quase-prova-de-estrada".

Não foi bem assim. Uma boa parte do percurso foi em caminhos de areia solta o que, dificulta o avanço e provoca um forte desgaste energético.

Estou mesmo em crer que este tipo de terreno é tão duro como a montanha; é certo que não envolve a "força bruta" que é necessária nas rampas de "4x4", mas o esforço continuado, devido ao enterrar dos pés na areia, leva ao esgotamento precoce das reservas de energia.  

A partida deu-se pelas cinco da tarde sob um sol escaldante. Os primeiros quilómetros todavia, correm-se em zonas de pinhal, sempre à sombra.

A única rampa digna desse nome surge aos sete quilómetros, mesmo assim com uma inclinação acessível para correr, pelo menos para os mais bem preparados; obviamente fi-la a caminhar J.

Segue-se então viagem pelos campos de arroz do Mondego, com o castelo de Montemor-o-Velho no horizonte.

Esta parte do percurso foi pelo interior da Quinta de Foja.

Esta quinta remonta à fundação da nacionalidade, tendo pertencido a ordens religiosas até ao século dezanove, altura em que foi adquirida pela família Pinto Bastos, a quem ainda pertence (fonte: Google).

Esta quinta deve ser das propriedades particulares com maior área cultivável e de pinhal, do litoral-centro do país.

As gerações mais antigas conhecem-na bem. Nas épocas de sementeira e colheita, era o Ganha-Pão de muita gente num raio de muitos quilómetros.

Cruzamos duas vezes o ramal ferroviário da Figueira da Foz à Pampilhosa, agora desactivado e deixado ao abandono. Algo de cortar a alma a um ferroviário que por lá passou inúmeras vezes em serviço e não só. Sinal dos tempos, em que o alcatrão passou a ser sinal de progresso, enquanto o transporte ferroviário ficou associado ao imaginário do Portugal de antigamente. Pelo menos na mentalidade "novo-riquista" que se instalou nos últimos 30 anos!

Na corrida, entretanto, tinha alcançado um ritmo estável e controlado que permitia ir ganhando posições, uma após outra.

O início não tinha sido brilhante, tendo feito o primeiro quilómetro bem atrás no pelotão.

É bem verdade que o aquecimento antes das provas é fundamental, mas não está fácil passá-lo à prática. Afinal, já estava tanto calor...

Por fim, algumas peripécias.

O atravessamento de uma zona pantanosa onde nos atolámos até aos joelhos, e depois, um engano no caminho, para não variar!

A organização tinha disponibilizado o Track da prova para quem estivesse interessado. Como não pesa, tinha-o carregado no relógio, não fosse o diabo tecê-las. Após sair do tal atoleiro vi que os atletas à minha frente viravam todos à direita enquanto o relógio me indicava o caminho correcto para a esquerda!

Fitas havia, em ambas as direcções. Resolvi ir atrás da matilha. Uns metros mais à frente paramos todos, ao constatar que tínhamos saído da rota. Seguimos um pouco pela estrada onde tínhamos ido dar, na esperança de voltar a encontrar fitas. Voltei a consultar o relógio e constatei que iríamos cruzar o caminho correcto um pouco mais adiante. Assim foi. De novo em pelotão, agora com cerca de dez atletas, continuamos em frente. Faltavam cerca de três quilómetros para o fim.

Ainda faltava um pequeno brinde, uma passagem pelo leito de uma ribeira durante uma centena de metros, para lavar as sapatilhas e refrescar os músculos!

Por fim a meta.

Ambiente de festa, até porque esta prova estava inserida nas festa da terra e a base de operações estava no centro do "arraial"( a banda que ia animar o baile da noite já fazia os testes de som à aparelhagem...)    

Apreciação final muito positiva.

Organização muito boa, o quem vem provar que não são necessários meios astronómicos e alta tecnologia para se alcançar bons resultados. Basta dedicação e um pouco de "savoir-faire" sendo que, a rapaziada que organizou esta prova é bem conhecedora do "trail" nacional e sabe bem o que faz.

 Terminaram 80 atletas.

Campeão masculino, Marco Marques do União de Tomar

Campeã feminina, Patrícia Carreira dos Offtel Runners

Classificação da "equipa" do PelaEstradaFora:

Paulo Oliveira: 2h 07m 22s, 15º da geral, 3º de escalão;

Paulo Amaro: 2h 12m 37s, 28º da geral, 8º de escalão

A "Equipa" presente na prova

Quinta de Foja
Quinta de Foja - Abastecimento aos 14 km

Quinta de Foja
Quinta de Foja - Paulo Amaro. Foto: Mountain Trails 
 
Quinta de Foja - Paulo Oliveira.  Foto: Mountain Trails

Quinta de Foja


Selfie "Twilight Zone"

Pinhal "Twilight Zone" (condensação na lente do telemóvel :) )








Paulo Amaro
 
Paulo Oliveira
 
Pódio do escalão M40 - 3º Lugal para a equipa do PelaEstradaFora

Troféus conquistados: uma taça de porcelana e um pacote de chá Lucia-lima