sexta-feira, 12 de maio de 2017

Leiria Run 2017

Créditos: Facebook Leiria Run
A cidade de Leiria está em festa durante o mês de Maio!
Ao longo deste mês decorre uma feira de diversões, tipo Feira Popular, há um programa cultural com muitas actividades onde se inclui o evento de corrida e caminhada “Leiria Run”.
A corrida percorre ao longo de 12 quilómetros os locais de referência da cidade, assim como o faz a caminhada nos seus 6 quilómetros.
Como a cidade não é muito grande, os 12 quilómetros chegam bem para ir a quase todos os locais que interessa conhecer num misto de ruas escadas e algum terreno “bravio”, como por exemplo a subida ao castelo, através de uma picada que até teve direito a escadas de corda!
Na corrida foram classificados 876 atletas, o que para uma prova fora dos grandes centros foi muito bom mesmo!
No total de corrida e caminhada, ouvi por lá falar em cerca de 3.000 participantes! Fantástico!
Às 21h00 inicia-se a corrida com os atletas da frente a fugir como se tivessem visto o diabo!
Créditos: Facebook Leiria Run
No final estavam lá uns desses atletas comparando os tempos nos relógios e falavam em 3:15 a 3:20 min/km para os primeiros quilómetros!  Enfim, gente apressada…
Para quem seguia mais lento os pontos de estrangulamento de tráfego eram uma constante ao longo da prova obrigando à perda de tempo, permitindo por outro lado recuperar a respiração e o ritmo cardíaco.
O primeiro desses estrangulamentos foi na passagem pelas instalações da Sé de Leiria, ao virar do primeiro quilómetro de prova.
Wikipédia
Perdeu-se um bom minuto na fila para passar pela estreita porta de acesso ao interior e quando por fim lá consegui passar dei corda às sapatilhas para me por a milhas o mais rápido possível. Não será o local mais seguro para um protestante com ideias de esquerda e um apelido vagamente cristão-novo ficar a fazer sala ☺
A corrida seguiu pelas ruas e vielas da baixa de Leiria, passando em frente à Igreja da Misericórdia, construída no local onde se encontrava uma antiga sinagoga que servia a população judaica residente no centro histórico da cidade, continuando a corrida subindo e descendo (todas ou quase todas) as escadarias da cidade!

Passamos a correr por locais típicos da cidade animados com música, como por exemplo o Mercado de Santana onde está uma banda filarmónica a tocar.
A música foi também uma constante neste evento, desde a zona da partida, vários locais de passagem e também no final, havia sempre uma banda filarmónica, um rancho típico ou uma banda de metais tipo “Charleston”!
Créditos: Facebook Artur Gomes
Descemos então ao Rio Liz para percorrer cerca de 500 metros com água pelos joelhos.
Créditos: Facebook Leiria Run

Na sua passagem pela cidade o rio tem várias comportas tendo-se controlado o caudal de modo a baixar o nível habitual das águas permitindo assim esta aventura.
Créditos: Facebook Leiria Run
O rio foi aliás um dos motores de desenvolvimento da  cidade, proporcionando por exemplo a motricidade do Moinho de Papel, novo ponto de passagem da prova.
Wikipédia

A história do papel teve episódios importantes em Leiria, dinamizado pela comunidade judaica antes da sua perseguição e expulsão pela Inquisição católica. Recordemos que o primeiro livro científico impresso em Portugal foi aqui mesmo em Leiria, o Almanach Perpetuum de Abraão Zacuto, importante obra de astronomia resumindo o mais avançado conhecimento e saber da altura, e que, permitiu aos portugueses ter sucesso nos descobrimentos.
De nada valeu a tão ilustre gente que, ou foram mortos, ou tiveram de fugir para outros climas “mais favoráveis à saúde”.
A purga de conhecimento e saber feita nessa altura condicionou o desenvolvimento do país a todos os níveis até ao dia de hoje!
Espero que pelo menos tenhamos aprendido a lição!                
Voltando à corrida entramos num 4º quilómetro de puro trail, com a subida ao monte da Sra. da Encarnação por íngremes trilhos.
Atingido o cimo do monte há que mencionar o “abastecimento” à base de morcela de arroz e vinho tinto. Como a opção era água simples, optei por uma rodela de morcela e um copito de vinho!
A etapa seguinte foi rumo à quinta do seminário. Um espaço florestal dentro da cidade que deu à prova mais um agradável aroma da natureza.
Seguidamente rumou-se à zona da câmara municipal atravessando depois o interior de uma escola secundária aberta para a ocasião (recordemos que se tratava de uma noite de sábado!).
Mais volta menos volta vamos coleccionando escadarias da cidade como se estivéssemos num Pac-man devorador de escadas ☺
Por último tínhamos o desafio de conquistar o Castelo de Leiria
Créditos: Facebook Leiria Run
Assim, pela encosta da porta da traição foi estendida uma escada de corda que ajudou a subida dos guerreiros.
Créditos: Facebook Leiria Run
Escusado será dizer que tanto nesta etapa como em muitas outras anteriores houve congestionamento e “engarrafamentos” mas ninguém parecia muito aborrecido com o facto.
Créditos: Filipe Reinoite
Finalmente entrámos no Estádio de Leiria (mamarracho do Euro 2004 que serve apenas para este tipo de eventos…) onde se aproveitou o facto de haver escadas na zona de bancadas e mais uma vez se fizeram mais umas subidinhas antes de chegarmos à meta instalada no relvado.
Em resumo, foi uma prova super divertida com muita participação e uma boa organização.
Aconselha-se vivamente o "Leiria Run" a quem quiser conhecer a cidade de Leiria sob uma perspectiva diferente, juntando a componente turística com uma actividade física divertida!

Boas corridas!

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Trilhos das Quelhas

Confesso que estava um pouco apreensivo em relação a estes Trilhos das Quelhas.

Era a primeira edição, a zona era propícia a “invenções” mais arrojadas, e sobretudo, a organização através da sua página de Facebook bombardeava o slogan: “é que vai doer, ai vai, vai”!
A par disso, incluíam algumas imagens de imponentes penhascos do vale da Ribeira das Quelhas o que me deixava mais ainda “de pé atrás”.
A dureza da subida era no entanto garantida. A prova iniciava-se em Castanheira de Pera na encosta sul da Serra da Lousã, subindo até ao ponto mais alto da serra a 1.205 m chamado Castelo do Trevim, descendo depois para os lados da aldeia do Coentral e da famosa Ribeira das Quelhas.
A base das operações desta prova esteve instalada na Praia das Rocas, a tal que tem ondas artificiais e onde terminaram as corridas das duas distâncias, 27 km e 12 km bem como a caminhada.

A partida das corridas foi dada num local chamado Praia do Poço da Corga,
Praia Fluvial do Poço Corga

 uma praia fluvial muito aprazível um pouco acima da vila de Castanheira de Pera, para onde os atletas foram levados de autocarro.
Praia Fluvial do Poço Corga - Samuel e Paulo (Je)
Às 10h30 iniciou-se a prova dos 27 km, com 81 atletas (foi este número de chegados à meta, não sei se desistiu alguém…) com toda a gente a querer ser estrela dos primeiros 300 metros. Bem, nas fotos da partida há dois fulanos que deviam estar a dormir porque ficaram para trás seguidos apenas pelo “vassoura”, dois atletas da famosa equipa do PelaEstradaFora, que ainda assim recuperaram algumas posições terminando em 37º e 45º da geral.
Como diz o velho ditado “a pressa dá em vagares”, logo aos 500 m de prova o pelotão encarreira todo pelo caminho errado dando origem a uma enorme confusão.
Os mais prejudicados são os atletas da frente que de repente se encontram de novo atrás no pelotão. Têm agora de ultrapassar os mais lentos já em single track ou algo parecido.
Este engano terá sido talvez a única mancha desta prova, uma vez que as fitas indicativas do novo trilho não estavam muito visíveis. De facto, quando há mudanças de direção, as fitas sinalizadoras do novo trilho devem estar em local que os olhos dos corredores as encontrem de forma natural. A regra básica é colocar diversas fitas do lado exterior do caminho para onde se dá a mudança de direção. Neste caso as fitas estavam do lado interior desse entroncamento, motivando que para as ver os corredores teriam de olhar para trás, o que não faz sentido...
Outra solução é tão simples como desenhar no chão uma seta com farinha branca (de neve)!
Ultrapassado este transtorno, que em abono da verdade pouco me aborreceu (a disputa pelos últimos lugares não é tão renhida como pelos primeiros 😊), a corrida lá seguiu serra☺ acima, por trilhos muito giros, passando por locais como só a Serra da Lousã tem.
Passado algum tempo atingimos o Castelo do Trevim a 1.205 m de altitude, onde se fazia sentir um vento forte e frio.
As torres eólicas giravam a toda a velocidade, provando que o génio que se lembrou de as colocar no cimo dos montes não era parvo nenhum ☺.

A partir do castelo do Trevim, onde havia um abastecimento, a prova era tendencialmente a descer.
Por falar em abastecimentos, a organização desta prova esmerou-se e apresentou umas mesas exemplarmente compostas. Já vi melhor, é certo, mas esta prova ficou bem no pelotão da frente no capítulo dos “comes e bebes”.
Cerca do quilómetro 18 chegamos à zona que dá nome à prova, a encosta da Ribeira das Quelhas.
Era aqui que receava que surgissem invenções tipo “extreme” ou “Boot Camp”, coisas que agora estão na moda e servem para o pessoal que anda nos ginásios a trabalhar os bíceps, tatuagens e solário, terem os seus momentos de glória!
A passagem por esta zona exigiu de facto muito cuidado, uma vez que o trilho percorria uma encosta pedregosa muitíssimo íngreme ao longo de uns 600 metros.
 Estavam destacados para os pontos mais perigosos, elementos bombeiros e do Grupo de Intervenção Proteção e Socorro (GIPS)da GNR que davam algum apoio aos atletas.
De qualquer modo pareceu-me na altura que o efeito destes elementos era mais psicológico do que efetivo, uma vez que se um atleta escorregasse acabaria por derrubar também o suposto ajudante e acabariam por cair ambos pela ravina abaixo. Talvez a existência de cordas fixadas às rochas fosse uma solução mais eficaz, em minha opinião obviamente.
Passada esta zona de penhasco, entramos novamente em trilhos junto à ribeira e a certa altura dou o tralho que há algum tempo andava a ameaçar!
A(s) queda(s) deu-se numa passagem de rochas mesmo junto à água que, devido a essa proximidade estavam muitíssimo escorregadias. Quando me aproximava dessa passagem um veraneante que ali se encontrava com a família avisou-me logo.

- Cuidado, porque essas rochas estão muito escorregadias!

-Obrigado - respondi eu - Obrigaaaaaaa…(catrapuz)…dooo....

A lage inclinada onde tinha posto os pés tinha aderência zero e caí de costas instantaneamente, sem todavia me magoar.
Ainda no chão gracejo para o fulano que me tinha avisado.

- O meu caro amigo bem que me avisou! – disse enquanto me erguia.

Meto o pé, e de repente estou novamente no chão.
Desta vez caio meio de lado, novamente numa queda ultra rápida e desamparada que não dá tempo de qualquer reação ou de movimento defensivo!
Bem, levanto-me novamente, agora com muito cuidado e saio daquela lage enorme e escorregadia, meio curvado com as mão sempre próximas do chão, prontas para qualquer eventualidade.
Faltavam ainda cerca de 8 quilómetros que se fizeram sem grande história não sendo ultrapassado por ninguém e até passando dois ou três atletas que iam a caminhar com um ou outro problema. Pergunto se precisam de alguma coisa, mas está tudo bem, apenas algumas questões musculares ou coisa parecida (sei bem o que isso é…), pensei para com os meus botões o mesmo que penso quando vou naquelas situações: “treina que isso passa”!
Termino finalmente na Praia das Rocas com 4h18m de prova, cheio de apetite para o almoço incluído nos 15,00 € da inscrição!
Os outros dois PelaEstradaFora já tinham chegado, o Paulo Amaro com 3h43m em 20º lugar da geral, 2º de escalão,
Paulo Amaro - Provas de Atletismo - Fotografias

 e o Samuel com 4h08m e 37º da geral, 4º de escalão

Samuel - Provas de Atletismo - Fotografias
Resumindo, esta prova sendo uma primeira edição teve um nível excelente e não fosse aquele problema inicial onde todo o pelotão se perdeu daria com certeza nota máxima à organização.
O percurso foi muito bem escolhido, sendo equilibrado em termos de dureza, técnica e de corrida.
O lado sul da Serra da Lousã embora não tão espetacular como as encostas do lado de Miranda do Corvo ou da Lousã, permite esse equilíbrio que no lado norte não é tão fácil por ter uma orografia mais agreste.
A t-shirt técnica oferecida tem um layout muito bem conseguido e o troféu finisher é original e bonito.
A organização dos Trilhos das Quelhas está de parabéns! Ganharam o desafio e proporcionaram um dia muito bem passado aos atletas e caminheiros que foram até Castanheira de Pera!


Boa Páscoa e boas corridas!



"Je" - Provas de Atletismo - Fotografias

Sam

The Team











The Dalton Brothers

Paulo Amaro com mais um troféu para a coleção


sexta-feira, 24 de março de 2017

Meia Maratona da Ponte 25 de Abril


Depois de 2015, voltei novamente a Lisboa para correr a meia maratona da ponte 25 de Abril.
Esta participação não estava nos planos; não pela prova em si mas pela logística pesada para quem vem de longe.
Porém, contudo, a empresa resolveu oferecer as inscrições aos trabalhadores que quisessem participar. Assim, juntamente com o resto da “equipa” do PelaEstradaFora, que por sinal trabalha toda na mesma empresa, fomos pela segunda vez correr na ponte.
Há muita gente que “descasca” nesta prova, apontando-lhe mil e um defeitos.
Há de facto vários pontos negativos, como por exemplo a necessidade de deslocação para a margem sul do Tejo; geralmente em comboios cheios à pinha. Depois, há também o facto de estarmos numa corrida com dez mil participantes, com todos os contratempos naturais de uma multidão deste tamanho.
Ainda assim, é uma corrida de que gosto bastante de fazer, embora, por toda a logística a que obriga, não goste o suficiente para pagar os 20 Euros da inscrição. Grátis no entanto, é sempre de equacionar!
Dia da prova começa às 05h00, com uma primeira viagem de carro até ao Entroncamento onde tenho comboio às 06h40 para Lisboa.
O local de encontro é na gare do Oriente onde o resto da equipa, o Bro’ Samuel e o Paulo Amaro chegam de Coimbra no Alfa Pendular. Seguimos neste até Entrecampos onde mudamos para um Fertagus. Chegamos ao Pragal antes das 09h00 e já lá está um mar de gente…
Rumamos logo para a zona da partida e ficamos já numa posição que já nos vai fazer demorar mais de dois minutos após o “tiro de partida” até passar a linha oficial de início.
Muito honestamente, quando se inicia a corrida às 10h30 já estava mais pronto para voltar para a cama do que para correr 21 quilómetros…
O início da corrida é feito aos zigue-zagues, ultrapassando uns e outros sem todavia forçar muito. A sensação é como estar num engarrafamento. Não vale a pena perder a calma ou forçar em demasia. Não vai adiantar mesmo!
Aproveito para apreciar um pouco da vista e da sensação única que é estar a correr a pé em cima da Ponte 25 de Abril.
O resto da prova é um pouco mais do mesmo. Correr, correr e correr!
Tenho a noção no entanto, que o facto de haver muita gente a correr traz uma motivação extra que nos ajuda a correr mais rápido.
Utilizo as técnicas do costume.
Olhos sempre levantados fixando um plano mais à frente. Sempre “marcando” alguém para alcançar.
Evito olhar para o chão uma vez que isso tem como consequência directa e involuntária o abaixamento do ritmo (técnica impossível de aplicar em corridas de trilhos ☺.
Manter sempre a pressão. Ter sempre a sensação que, se forçar mais um pouco rebento pelas pernas ou pelos pulmões.
A partir do meio da prova começo sistematicamente a fazer contas das distâncias que faltam, comparando com as mesmas distâncias feitas em treino.
De quando em quando noto a tensão muscular a subir e a passada a ficar mais rígida. Faço então umas manobras de relaxamento “caseiras”: pisar mais suavemente, diminuir ligeiramente a cadência e alongar um pouco a passada. Simultaneamente relaxo os ombros e tento imprimir nestes um bamboleio conjugado com o movimento das pernas.
Desde início que a corrida tem sido a ganhar posições, coisa que faz sempre bem ao ego, especialmente após o “desastre” do Trail de Conímbriga Terras de Sicó.
Termino finalmente 01 h 34 m 52 s após ter cruzado a linha de partida, o que para mim é um tempo canhão!
A participação da “Equipa” ficou assim ordenada (tempos de chip):

  •       Paulo Amaro – 01 h 33 m 56 s
  •       Paulo Oliveira - 01 h 34 m 52
  •       Samuel Oliveira - 01 h 35 m 56 s
Uma última nota para o excelente dia que esteve, se bem que com um bocadinho de calor a mais para a época. Mas como se sabe, não temos interferência no Tempo!

Boas corridas!
Antes da prova (foto da organização)




Paulo Amaro (foto de Luís Duarte)

Paulo Oliveira (foto da organização)

Samuel (foto da organização)
No final, com o colega Agostinho

No final já de regresso, com o colega Agostinho

Tempos